12-03-2019 junto à costa atlântica sentei e senti
Isto deve ter começado quando era muito criança, tão criança que não consigo recordar.
Uma foto minha com 8 anos onde me reconheci, levou-me para tempos dos quais tenho vagas memórias, mas cujas imagens não podiam estar mais longe, pese embora me tenha reconhecido.
Não sei de onde vem esta característica de personalidade auto-destrutiva e dependente. E o conflito interno de não querer ser assim. A necessidade de ser amada acima de tudo por alguém que cuidasse de mim. Hoje, pensando profundamente, e porque 36 não são 16 nem 26, sinto que isto vem de muito longe, de um tempo que escondi no subconsciente e que me leva a lugares de dor/amor.
A auto-sabotagem acontece porque vivemos e sentimos coisas do passado, o que faz com que elas estejam permanentemente a acontecer levando a um ciclo repetitivo. Agimos assim porque é a realidade que conhecemos, que programamos mentalmente e que nos é confortável, em certa medida. Achamos que esta dor é a que conhecemos, será mais fácil de suportar do que a não conhecemos.
O que aconteceu para ter essa necessidade de alguém, essa dependência de alguém, a necessidade de agradar e de ter quem seguir ou quem “assuma” as responsabilidades. Porque é que não me amo e tomo conta de mim?
Quando tinha 13 anos conheci um rapaz de 23 anos e apaixonei-me. Queria que ele me levasse com ele. Para onde? Para onde ele quisesse, desde que me abraçasse e protegesse. Do quê? Do mundo e dos problemas em casa. E o pior aconteceu e ninguém me protegeu. As coisas em casa apenas piorariam. E a necessidade cresceu. Com a raiva. Hoje acredito não ser mais assim, mas a verdade é que isto vem de ainda antes dessa noite onde perdi toda a inocência e vi a adolescência chegar como um inferno. Vem de antes.
Os sentimentos são de abandono, não ser merecedora de amor, ser uns estorvo. Não é bom.
Contra as minhas próprias expectativas, com ajudas externas, com muito amor e compreensão, venci-me e não me destruí. Estive perto, muitas vezes. E de destruir quem estava a meu lado e as relações.
Podia ter sofrido menos, mas não teria aprendido tanto. Hoje sinto até alguma vergonha do que fui. E isso também não é bom. Continuo a não ter muita compaixão por mim. Como se merecesse ter sofrido ou ser mal-tratada.
O caminho é longo.
O novo plano é alterar isto, assumir o controlo, tomar conta de mim, sentir compaixão e ser minha amiga.
Hoje de manhã voltei a não ir correr. Acordei 2 horas antes do planeado. A verdade? tenho medo de ir sozinha. O calçadão é deserto, o mar logo ali ao lado e tenho medo. Confesso. Tenho medo porque ouvi também de historias de raparigas que desapareceram e apareceram mortas/violadas. Volta o sentimento do medo/necessidade de outro/dependência.
Vou mais tarde, alterar os planos, mas não vou desistir de mim.