Do que é que se fala quando não temos nada para dizer?
Tive muitos sonhos, uns que fui deixando pelo caminho; outros que se foram formando. Hoje posso dizer que faço o que gosto, cheguei ao emprego de sonho. Mas tudo na vida tem o lado luz e sombra, essa dicotomia aplica-se a tudo.
A sombra da solidão, por vezes, rouba o brilho dos sonhos. Falar com centenas de pessoas, às vezes mais, às vezes menos. Menos de cinco em face to face. Menos de cinco por telefone.
Faço alguma coisa para mudar isso? Na verdade, pouco.
Uns telefonemas, às vezes.
Disponho-me para encontros presenciais. São os meus favoritos. Mas quase nunca se concretizam. A vida tem destas coisas. Somos todos muito ocupados.
Felizmente, encontrei a alma gémea há alguns anos e espero tê-la ao medo nesta caminhada. A luz dos meus dias.
Três dias. Três interacções sociais. Um café na praia, um encontro furtuito de cinco minutos, trocas comerciais, uma mochila perdida e encontrada. Isto conta?
Isto é a vida a acontecer. Encontros casuais, conversas de circunstância.
Uma mulher passa por mim, um pranto que vem profundo das entranhas. Dirigo-me a ela, ponho-lhe um braço por cima. Respire. Está tudo bem.
-Ele vai deixar-me, que vai ser de mim.
-E uma mulher com esses olhos verdes lá precisa de um homem que não queira estar com ela? Ama-te a ti em primeiro lugar.
A mochila apareceu. Chove, mas é hora de ir buscá-la e, talvez, beber um café numa esplanada coberta, vendo o mundo embaciado e turvo, à sombra de um inverno anunciado que esperamos breve.
Amor.

